"Gosto de usar vestidos mamãe!"

Porque essa imagem choca tanto? É  só um menino usando um vestido.
Porque cada um de nós interioriza as estruturas do universo social e transforma-as em jeitos de ver o mundo que orientam nossas condutas. Ok...

Li, e ainda estou lendo e pesquisando, uma matéria mais que importante na Revista Nova Escola. Hoje vim trazer um pouco mais dela e outras pesquisas também, resenhadas para vocês. Alguns trechos são imprescindivelmente importantes e não os modifiquei. Espero que gostem.
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É a velha história do azul para meninos e rosa para as meninas. Ao longo da história a sociedade vem construindo conceitos que são interiorizados por nós e passados de geração para geração. E quando uma coisa dessa acontece, ficamos atônitos, sem saber o que fazer, incomodados pela “diferença” e desequilíbrio que isso causa em nossas certezas.  Romeo Clark, tem 5 anos e usa diariamente os seus mais de 100 vestidos. O projeto de contraturno que ele frequentava na cidade de Rugby, no Reino Unido, considerou suas roupas impróprias. O menino ficou afastado até que decidisse - palavras da instituição - "se vestir de acordo com seu gênero". 
Posso estar muito equivocada, mas de acordo com o que acredito sobre educação e no papel de educadora, acredito que a escola deveria abraçar as diferenças, acolher. No entanto o que vemos são instituições opressoras, arraigadas em seus conceitos de gêneros importados da sociedade atual.  "Na contemporaneidade, multiplicaram-se os grupos, os sujeitos e os movimentos, as maneiras de se identificar com gêneros e de viver a sexualidade. Não há apenas uma forma de ser, mas tantas quantas são os seres humanos", afirma Guacira Lopes Louro, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e uma das principais referências na área de estudos de gênero.

“(...)Vale desfazer a confusão entre esses conceitos. O sexo é definido biologicamente. Nascemos machos ou fêmeas, de acordo com a informação genética levada pelo espermatozoide ao óvulo. Já a sexualidade está relacionada às pessoas por quem nos sentimos atraídos. E o gênero está ligado a características atribuidas socialmente a cada sexo.

O que se sabe hoje em dia é que o dualismo heterossexual/homossexual não é capaz de abarcar as formas de desejo humanas. Os estudos sobre o tema dizem que a orientação sexual se distribui num amplo espectro entre esses dois polos. É provável que a definição sexual se dê pela interação entre fatores biológicos (predisposição genética, níveis hormonais) e ambientais (experiências ao longo da vida). Mas não há certezas. O guia Sexual Orientation, Homossexuality and Bissexuality, da Associação Americana de Psicologia, resume: "Não foram feitas, por enquanto, descobertas conclusivas sobre a determinação da sexualidade por qualquer fator em particular. O tempo de emergência, reconhecimento e expressão da orientação sexual varia entre os indivíduos". 

É surpreendente notar como determinados comportamentos são mais aceitos em uma fase da história e reprimidos na seguinte. Os moradores da Grécia Antiga, por exemplo, se relacionavam com pessoas de ambos os sexos. Já na Idade Média, comportamentos que se desviassem da norma socialmente definida eram punidos com a fogueira. Hoje, não há mais chamas, mas o sofrimento assume a forma de piadas, humilhações, agressões físicas e psicológicas, exclusão. Por que ainda agimos assim? Como se construiu uma sociedade que se choca e entra em pânico ao ver um menino se vestindo de menina?”

Todos nós precisamos falar sobre sexo, sobretudo sobre gênero. No entanto essa tarefa não parece muito fácil hoje em dia, para que a escola e nós  respeitemos  a diversidade, professores deveriam ter algum tipo de formação no assunto. É o melhor caminho para disseminar o que as pesquisas já descobriram sobre a construção dos gêneros e sua relação com o sexo e a sexualidade.

Em 2011 parte de um programa chamado Brasil sem Homofobia tentou, sem muito sucesso, veicular nas escolas cartilhas que abordavam o assunto. A questão é que o material não foi  aprovado pela União em resposta a pressão de religiosos e levou o apelido de “Kit Gay”. Sobre esse assunto em específico,  é valido outro Post, mas o material hoje está disponível no Site da Nova Escola, AQUI
Se você quer opinar com propriedade sobre o assunto, leia e tire suas próprias conclusões. 

Julgar é muito fácil. Demonstrar horror, incompreensão também. O que as escolas fazem é chamar os pais e jogar o "problema" para que eles corrijam. É papel da escola agir com profissionalismo. O que, nesse caso, significa tratar o tema com naturalidade e não reportá-lo aos pais. "Como ensina Georgina Clarke, a mãe do pequeno Romeo: 'Não me importo. Faz parte de quem ele é. Se usar os vestidos faz com que ele seja feliz, então está tudo bem para mim' ". 

Espero que tenham se interessado no assunto e gostado do post! Deixo aqui o link da Matéria na íntegra para eventual pesquisa:  MATÉRIA COMPLETA
Deixem sua opinião! 
Até o próximo post!












1 comentários:

  1. Olá Samantha, conheci seu blog e canal no youtube neste domingo, por acidente, pesquisando por organização! Me encantei pelo Aquiles e me identifiquei muito com alguns de seus textos. Também sou mãe, de uma menininha de 4 anos e estou descobrindo a cada dia uma aventura nova com a maternidade. Parabéns pelo blog e muito sucesso!

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:) :,( ;) :D :-/ :? :v X( :7 :-S :(( :* :| :-B ~X( L-) =D7 :-w s2 \m/ :p kk

Obrigada pela visita e comentário! Eu e Aquiles agradecemos muito! Um super beijo!