Reggio Emília: Uma escola, um método, um sonho.

A criança é feita de cem. /A criança tem cem mãos/ cem pensamentos/ cem modos de pensar/ de jogar e de falar./ Cem sempre cem/ modos de escutar/as maravilhas de amar.
Cem alegrias/ para cantar e compreender./Cem mundos/ para descobrir./ Cem mundos/
para inventar./ Cem mundos/ para sonhar./ A criança tem/ cem linguagens/ (e depois cem cem cem)/ mas roubaram-lhe noventa e nove./ A escola e a cultura/ lhe separam a cabeça do corpo. 
(Trecho de As Cem Linguagens da Criança, de Loris Malaguzzi).

O método Reggio Emília, hoje uma rede de escolas públicas numa cidade ao Norte da Itália encanta desde 1963,  teve sua prática educadora  reconhecida como a melhor do mundo em 1991. Hoje vim apresentá-la para vocês, apaixonados pela Educação como eu, e interessados  na Educação de seus filhos.
Logo que ingressei na faculdade, fui inserida num mundo de descobertas através de palestras e aulas que falavam de métodos de ensino. Conheci o método REGGIO EMILIA numa palestra na faculdade e desde então fiquei apaixonada pelo modo como essas pessoas vêm a Educação. O poema acima (As Cem Linguagens da Criança) fala exatamente como esses pensadores, educadores, pais e alunos agem. Mas antes de chegar “no ponto” específico, façamos um passeio pela história do nascimento desse método.
Com o término da Segunda Guerra Mundial, e a cidade em ruínas, um grupo de cidadãos sentiu a necessidade de reconstruir o tecido social, cultural e político da comunidade e materializou a vontade por meio de uma escola para crianças pequenas – a escola construída a partir de um esforço comunitário, do qual o pedagogo e educador Loris Malaguzzi, fez parte, contou com verba obtida da venda de um tanque de guerra abandonado, alguns caminhões e cavalos deixados pelos alemães em retirada.
Influenciado pelas teorias psicopedagógicas da época, como Jean Piaget, Lev Vygotsky e John Dewey; e também de pedagogos italianos, como Maria Montessori, irmãs Agazzi, Bruno Ciari, o jovem Malaguzzi estava certo de que o processo pedagógico deveria ter como centro o desenvolvimento intelectual, emocional, social e moral das crianças.
O modelo pedagógico deu tão certo que acabou sendo municipalizado e hoje engloba 40% das escolas da cidade. A rede Reggio Children é composta de 13 creches e 21 pré-escolas.

O MÉTODO
Em Reggio Emília, uma pequena cidade Italiana, as escolas  funcionam como um “laboratórios do fazer”, que combinam as tradicionais linguagens gráficas, pictóricas e de manipulação (modelos e maquetes), mas também as do corpo, ligadas ao movimento, as da comunicação verbal e não-verbal, as linguagens icônicas, o pensamento lógico, científico, natural, discussões éticas, e manejo de ferramentas multimídia, sempre objetivando que a criança aprende “com todo corpo”, de forma fluída e permanentemente integrada.
Esse método prioriza não apenas as linguagens codificadas e reconhecidas, mas as experiências reais obtidas por meio da pesquisa e de descobertas sensoriais dos próprios estudantes.
O método de ensino inclui  linguagens artísticas e expressivas na prática cotidiana ; a equipe pedagógica parte do pressuposto de que a mente do ser humano e, portanto da criança, é multidisciplinar e observá-la em sua forma de aprender é uma forma de incentivar a apropriação de conhecimento. Como no princípio, a escola é de todos: Os professores atuam em parceria com o atelierista (profissional que apóia a consolidação de pontes entre as diversas descobertas da criança) alunos e familiares : peças importantes para a consolidação do “experimentar”, do “descobrir” o mundo e os outros, a partir do manejo das diferentes linguagens às quais é apresentada.
A prática de inserir as crianças cotidianamente em situações de pesquisa e debate, favorece o questionamento sobre si próprias e sobre os outros, o que as torna mais participativas e, futuramente, cidadãos mais críticos e cientes da importância de seu papel em uma sociedade mais justa e igualitária. Os alunos são convidados a compor seu ponto de vista em conjunto com os demais, fortalecendo o processo de construção não apenas de suas identidades individuais, mas do coletivo com suas múltiplas particularidades.
Em todo o processo de ensino e aprendizagem, as crianças têm suas habilidades reconhecidas e seu desenvolvimento conduzido a partir de suas próprias relações com os demais e com o mundo. Para tanto, as equipes gestoras garantem que as escolas sejam capazes de prover relações significativas e importantes para o desenvolvimento integral dos alunos(...)
Muito mais eu teria pra falar desse método encantador de ensinar e aprender; no entanto deixarei aqui um vídeo, que fez parte dessa palestra que um dia eu ví na Faculdade e é mais do que esclarecedor. Também deixo aqui  o desejo de saber de vocês, educadoras, mães, alunas,  a opinião sobre esse assunto tão sério. Apesar de tão fascinante e revelador, será que esse método poderia (nos dias atuais) ser incorporado ao nosso sistema educacional? Será que nossos alunos, pais, professores, equipe gestora, e mais: o nosso país estaria preparado para tal método? Será que esse método teria espaço, vivência e contexto para ser inserido na nossa realidade ainda que gradativamente? São questões sérias que nos fazem pensar seriamente no futuro que queremos para nossos filhos. Comente!

Espero que tenham gostado do post! Espero o comentário de vocês. Um beijão e até o próximo!
Pesquisado em <revistaescola.abril.com.br> <educacaointegral.org.br><portal.aprendiz.uol.com.br>





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