A vida é um ciclo

Oi gente. Olha eu aqui de novo, depois de tanto tempo, tentando explicar um sumiço (quase) repentino. Sumi por um tempo, um tempo que eu precisava ter pra mim, para encaixar algumas coisas, rever tantas outras, apenas pensar. A gente sempre acha que sabe tanto da vida, que já viveu demais, que aprendeu bastante, que sabe muito dos outros, das vidas dos outros, até mesmo das nossas, mas a grande e única verdade da vida é que não sabemos de nada. Que julgamos tudo e todos sem a menor propriedade, tentando encaixá-los em nossas expectativas, em nossos conceitos.  Eu na verdade, passo por um período de profunda meditação em minha vida, meus objetivos, meus planos. Me pego projetando o futuro na ínfima tentativa de visualizá-lo, tentando me encaixar no que até agora o presente tem me dado. E o fato, é que não há satisfação em nada do que eu tenho visto.
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Parece tão fútil quando alguém fala:  “Ah, é a crise dos 30, todo mundo passa por isso, principalmente as mulheres.” Mas posso ser sincera? É bem mais que isso, não é uma crise existencial, um medo tolo do futuro, ou “mulherisse dos 30 anos”. É a constatação de estar vivendo algo que você não sabe bem se queria. De viver algo que não era bem o planejado, situações que te levam a inércia, sem motivação, sem ânimo, sem felicidade. É claro que não somos felizes o tempo todo, eu sempre fui muito certa disso. Há dias de luta e dias de glória, como já dizia o poeta Chorão, do Charlie Brown Junior.  Mas ....quando os dias de luta são numerosa e tediosamente maiores dos que os dias de glória você começa a se perguntar o que pode estar fazendo errado. E é duro saber que na maioria das vezes a culpa é sua. Foram suas escolhas que te levaram até ali, e o presente nada mais é do que a colheita do passado. Mas e quando o presente não te impulsiona? Quando não há ânimo de vida, vontade? Quando o que você achava que era na verdade não era, ou quando todas as tentativas de “remendos” foram vãs, não deram frutos, não sobreviveram. O que se faz? Eu digo o que se faz. Você vai adiante, porque a vida não aperta o pause pra você chorar, pra você se sentar e ficar praguejando contra o mundo. O tempo é implacável, o mundo não para. Foi o que fiz. Tomei uma decisão  extrema na minha vida, mudei tudo, buscando um tempo novo, um novo jeito de fazer as coisas, tentando melhorar, ser feliz. Não é fácil, não é rápido. Principalmente quando se tem um filho. Terminar um relacionamento, romper algo, nunca é fácil. Eu disse romper? Não...não....não há como romper algo que não acabou. Estaria mentindo se dissesse que não o amo mais. Mas o amor é o sentimento mais difícil de entender, de se mostrar, de sentir. Não há ofensas, não há dor, não há brigas, não há pena. Há cumplicidade. Essa cumplicidade que esteve tão ausente, agora tão presente. Não dá pra romper laços tão profundos, fingir que não há ligamentos intrínsecos entre nós, e um deles chamado Aquiles.  Mas não sei dizer que tipo de amor sinto hoje. Ou do que ele é ou não é capaz. Eu preciso me descobrir de novo. Entender como meu coração funciona e respeitá-lo. Preciso ver as coisas de outro ângulo, estar fora para ter certeza de que quero ou não estar dentro. E não foi uma decisão fácil...tive que usar toda a coragem que me restava para admitir primeiramente para mim mesma que era isso que eu queria. E depois ir adiante. Como eu disse, o tempo não para. A vida é um ciclo. O que isso vai proporcionar no futuro? Eu não sei bem. Mas espero resultados diferentes dos atuais, e sei que para que esses se desenvolvam eu devo começar a plantar agora.  Não espero a compreensão das pessoas, como disse, no começo do texto, estamos sempre tão imbuídos de nossa própria “sabedoria” que julgamos a tudo e todos o tempo todo através de nossos conceitos. Tô  acostumada. A louca, a corajosa, a estranha, a alegre, a mãe.  Eu só quero olhar pra minha vida e ter a certeza de que fiz tudo o que podia fazer, que lutei com todas as armas que podia. Então serei feliz.